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Simbolismo - características marcantes

Cruz e Souza - um dos representantes do Simbolismo no Brasil

À medida que estabelecemos familiaridade com as características inerentes aos estilos de época, constatamos que a afirmativa a qual retrata que estes ora se entrecruzam, ora se divergem, revela-se de modo significativo. Assim sendo, o Simbolismo, de forma específica, demonstra ser demarcado por tal aspecto. Partindo dessa premissa, ater-nos-emos primeiramente às causas relativas às divergências, no intuito de compreendermos efetivamente acerca dos pontos que “assinalaram” esse importante movimento literário.

As origens do Simbolismo estão enraizadas no Decadentismo – representado por um conjunto de manifestações artísticas referentes a alguns poetas, tais como, Charles Baudelaire, Arthur Rimbaud, Stéphane Mallarmé e Paul Verlaine, cujos ideais se pautavam no instinto de repulsa contra os valores vigentes, contra a modernidade resultante da sociedade industrial, contra a ordem, enfim, entre muitos outros fatores. Para tanto, serviam-se de seus versos para “denunciar” a decadência moral e estética revelada pela sociedade europeia daquela época. Estes, por sua vez, tinham como características marcantes o satanismo, a morbidez, o terror, a perversão, as atitudes anárquicas, o pessimismo, a insanidade e alucinação. Assim como nos revelam as palavras de Baudelaire, em uma de suas criações:  

  ELEVAÇÃO

Por entre os pantanais, os vales orvalhados,
As montanhas, os bosques, as nuvens, os mares,
Para além do ígneo sol e do éter que há nos ares
Para além dos confins dos tetos estrelados,

Flutuas, meu espírito, ágil peregrino,
E, como um nadador que nas águas afunda,
Sulcas alegremente a imensidão profunda
Como um lascivo e fluido gozo masculino.
[...]
Depois do tédio e dos desgostos e das penas
Que gravam com seu peso a vida dolorosa,
Feliz daquele a quem uma asa vigorosa
Pode lançar às várzeas claras e serenas;
[...]

Todo esse sentimento de indignação evidencia a nítida reação contra os valores burgueses e contra o próprio racionalismo tão preconizado por meio da estética realista, fato que mais tarde desencadearia os movimentos vanguardistas e o Modernismo.

Agora, ao ressaltarmos acerca do entrecruzamento de posições ideológicas, estamos querendo dizer que tais propósitos, acima revelados, fizeram emergir tão somente um sentimento revelado pelo “mergulho” do indivíduo que se volta para dentro de si mesmo e um sentimento por vezes egocêntrico, demonstrando não mais acreditar na própria vida – atitude esta que remonta os moldes românticos, embora com maior intensidade.

Diante de tal quadro, eis que se torna ainda mais viável nos atermos de forma minuciosa às características que demarcam a estética simbolista, assim evidenciadas:

* Subjetivismo exacerbado – Quando comparado ao ideário romântico, em se tratando do sentimento egocêntrico, vale dizer que este se manifesta de forma mais contundente, uma vez que enquanto o poeta romântico se detém nas camadas superficiais do seu interior, o simbolista ultrapassa tal intento, indo até às últimas consequências, ou seja, busca respostas no próprio inconsciente, no mais profundo do seu “eu”.

* Misticismo e religiosidade – De forma adversa às teorias filosóficas até então vigentes (cientificismo, positivismo), o representante simbolista demonstra uma atitude mística perante aos fatos. Para tanto, busca o inatingível, numa espécie de fé manifestada pelo misticismo difuso, bastante relacionado às crenças cristãs.

* Desejo de solidão - Tal qual os românticos, os simbolistas, em razão do instinto subjetivo, são conduzidos a um estado de solidão e isolamento. Inconformados com a realidade, criam sua “torre de marfim”, na qual se refugiam, na tentava de buscar a si mesmos.

* Linguagem musical – Destituída de um perfil lógico, a palavra ganha sonoridade. Dessa forma é comum encontrarmos o emprego de aliterações, manifestadas pela sonoridade das vogais em consonância com o estado de alma do artista (ora simbolizando melancolia, tédio, ora claridade, esperança).

* Linguagem evocativa – Ao invés de representar a própria realidade, o artista pauta-se pela “evocação”, revelada pela busca do inconsciente. Assim, ao invés de descrever os conteúdos, estes são apenas sugeridos, estabelecendo relações com a música e a pintura (numa espécie de alusão), além de priorizar diversos tipos de sensações, sobretudo aquelas ligadas aos órgãos do sentido. Tal aspecto nos faz constatar a presença mais uma vez de Baudelaire, sobretudo, no que se refere à Teoria das Correspondências.


Por Vânia Maria do Nascimento Duarte
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