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Linguagem teatral

A linguagem teatral se constitui de peculiaridades distintas daquelas demarcadas no texto narrativo

Convivemos, enquanto usuários da língua, com diferentes situações comunicativas, posicionando-nos na qualidade ora de emissores, ora de receptores. Assim, com base nessa realidade, sempre afirmamos que tais circunstâncias se materializam naquilo que chamamos de gêneros textuais.

Na intenção de concretizarmos tal afirmação, o fato de lermos ou assistirmos a uma peça teatral faz de nós seres coadjuvantes dessas circunstâncias de comunicação, que por sinal se concebem como recorrentes. Dessa forma, voltando à posição em que nos colocamos (a de usuários), não basta sabermos que o texto dramático existe e se faz recorrente, basta, acima de tudo, conhecermos acerca das características linguísticas que demarcam a linguagem que nele se faz presente – por isso e tão somente que passaremos a conhecer um pouco mais da linguagem teatral.

Como primeiro aspecto, façamos uma volta aos conhecimentos de que dispomos acerca do texto narrativo, no qual podemos verificar a presença dos personagens, tal como ocorre no texto teatral; os fatos ocorrem em um determinado lugar, em um certo tempo. Contudo, em se tratando desse tempo, digamos que ele somente dura enquanto dura a apresentação da peça, diferentemente do que ocorre no texto narrativo. Em relação ao narrador, importante é estarmos cientes de que na linguagem teatral esse elemento não se faz presente, visto que a característica principal que demarca essa modalidade de linguagem em evidência é justamente o diálogo encenado pelos próprios personagens, portanto, a história não é contada, mas sim representada.

Outras características, não menos importantes, dizem respeito a alguns elementos que compartilham da representação da linguagem teatral, como é caso do figurino, do cenário, da iluminação, trilha sonora, entre outros. Outro ponto faz referência ao tamanho em que a peça se apresenta demarcada, ou seja, se muito extensa, costuma ser dividida em partes, consideradas atos, os quais podem ser subdivididos em cenas.

As rubricas, demarcadas por aqueles elementos que no texto escrito aparecem em destaque, em itálico, por exemplo, atuam como indicadores que orientam o diretor e os personagens acerca das características relativas ao cenário, bem como sobre o modo de proceder desses mesmos personagens. Antes delas, como podemos constatar no exemplo de uma peça demarcada pela linguagem teatral (abaixo citada), aparece o nome do personagem. Essa peça, por sua vez, apresenta-se bastante conhecida pelo público em geral, intitulada o Auto da compadecida, de Ariano Suassuna, cujos fragmentos assim se materializam:

João Grilo (chamando o patrão à parte) — Se me dessem carta branca, eu enterrava o cachorro.

Padeiro— Tem a carta.

João Grilo— Posso gastar o que quiser?

Padeiro— Pode.

Mulher — Que é que vocês estão combinando aí?

João Grilo— Estou dizendo que, se é desse jeito, vai ser difícil cumprir o testamento do cachorro, na parte do dinheiro que ele deixou para o padre e para o sacristão.

Sacristão— Que é isso? Que é isso? Cachorro com testamento?

João Grilo— Esse era um cachorro inteligente. Antes de morrer, olhava para a torre da igreja toda vez que o sino batia. Nesses últimos tempos, já doente para morrer, botava uns olhos bem compridos para os lados daqui, latindo na maior tristeza. Até que meu patrão entendeu, com a minha patroa, é claro, que ele queria ser abençoado pelo padre e morrer como cristão. Mas nem assim ele sossegou. Foi preciso que o patrão prometesse que vinha encomendar a bênção e que, no caso de ele morrer, teria um enterro em latim. Que em troca do enterro acrescentaria no testamento dele dez contos de réis para o padre e três para o sacristão.

Sacristão (enxugando uma lágrima)— Que animal inteligente! Que sentimento nobre!(calculista) E o testamento? Onde está?

João Grilo— Foi passado em cartório, é coisa garantida. Isto é, era coisa garantida, porque agora o padre vai deixar os urubus comerem o cachorrinho e, se o testamento for cumprido nessas condições, nem meu patrão nem minha patroa estão livres de serem perseguidos pela alma.

Chicó (escandalizado)— Pela alma?

João Grilo— Alma não digo, porque acho que não existe alma de cachorro, mas assombração de cachorro existe e é uma das mais perigosas. E ninguém quer se arriscar assim a desrespeitar a vontade do morto. Mulher (duas vezes) — Ai, ai, ai, ai, ai!

Sacristão (cortante)— Que é isso, que é isso? Não há motivo para essas lamentações. Deixem tudo comigo.


Por Vânia Maria do Nascimento Duarte
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