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Foco narrativo

Foco narrativo é a perspectiva por meio da qual o narrador nos revela os acontecimentos

O título em questão – foco narrativo – fornece-nos pistas suficientes para compreendermos que se trata de um gênero demarcado por algumas características relevantes, tais como: personagens, tempo, espaço, e, sobretudo, o narrador. Ele, por sua vez, representa o ponto central da nossa discussão. Qual será a forma que iremos entrar em contato com os acontecimentos narrados? De que modo o narrador nos passará tudo isso?

Partindo desse pressuposto, torna-se importante sabermos que ele, o foco narrativo, diz respeito à perspectiva por meio da qual o narrador faz esse relato, podendo se apresentar de duas formas, as quais veremos adiante: 

* Foco narrativo de terceira pessoa – trata-se de uma modalidade na qual o narrador não participa ativamente dos acontecimentos, ou seja, ele permanece do “lado de fora” e apenas se limita a nos repassar os fatos. Dessa forma, ele pode se caracterizar como um narrador observador ou narrador onisciente.

Na qualidade de narrador observador, ele não conhece toda a história, com isso vai relatando os fatos à medida que eles ocorrem, abstendo-se de quaisquer intervenções no sentido de nos antecipar algo relacionado à estória. Já o narrador onisciente conhece tudo sobre o que está sendo revelado, até mesmo os pensamentos dos personagens envolvidos na trama.

* Foco narrativo de primeira pessoa – caracteriza-se pela participação direta do narrador mediante os fatos ocorridos, obtendo ele o posto de narrador protagonista ou narrador coadjuvante. Em virtude de tal aspecto, pode-se afirmar que há a presença de traços subjetivos na estória, dado o envolvimento emocional no desenrolar da ação, fato que não ocorre no narrador de terceira pessoa, no qual prevalece o instinto objetivo. Vejamos, pois, um caso que ilustra a modalidade em questão, extraído do romance “Memórias póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis.

CAPÍTULO 7

O delírio

Que me conste, ainda ninguém relatou o seu próprio delírio; faço-o eu, e a ciência mo agradecerá. Se o leitor não é dado à contemplação destes fenômenos mentais, pode saltar o capítulo; vá direito à narração. Mas, por menos curioso que seja, sempre lhe digo que é interessante saber o que se passou na minha cabeça durante uns vinte a trinta minutos.

Primeiramente, tomei a figura de um barbeiro chinês, bojudo, destro, escanhoando um mandarim, que me pagava o trabalho com beliscões e confeitos: caprichos de mandarim.

Logo depois, senti-me transformado na Suma Teológica de São Tomás, impressa num volume, e encadernada em marroquim, com fechos de prata e estampas; idéia esta que me deu ao corpo a mais completa imobilidade; e ainda agora me lembra que, sendo as minhas mãos os fechos do livro, e cruzando-as eu sobre o ventre, alguém as descruzava (Virgília decerto), porque a atitude lhe dava a imagem de um defunto.

Ultimamente, restituído à forma humana, vi chegar um hipopótamo, que me arrebatou. Deixei-me ir, calado, não sei se por medo ou confiança; mas, dentro em pouco, a carreira de tal modo se tornou vertiginosa, que me atrevi a interrogá-lo, e com alguma arte lhe disse que a viagem me parecia sem destino.
[...]

Nota explicativa: trata-se de um fragmento expresso em sua forma original, sendo assim, a palavra ideia, ora acentuada, mantém tal aspecto.


Por Vânia Maria do Nascimento Duarte
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    DESTAQUES
    Confira os destaques abaixo

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    Ciclanos
    As diversas aplicações desses hidrocarbonetos de cadeia fechada.

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    Verbo Reaver
    As particularidades linguísticas inerentes a esse verbo defectivo.

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