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A Geração de 1930

Principais representantes da Segunda Fase Modernista

A Geração de 1930, também denominada segunda fase modernista, consolidou ainda mais as ideias promulgadas pelo Modernismo. Mas por qual razão?

Entendendo que o Modernismo se consagrou como uma fase de ruptura e de destruição dos antigos parâmetros estéticos no mundo da arte, criando uma literatura autenticamente voltada para as raízes nacionais, afirmamos que a segunda fase foi além, considerando-se como uma fase de verdadeiro engajamento político por parte de seus representantes. Trata-se de uma época em que toda a ideologia estava voltada para a análise crítica da relação homem x sociedade. Por essa razão é também chamada de Neorrealista, uma vez que retoma, mesmo que de forma parcial, as ideias pregadas pelo Realismo/Naturalismo, porém não considera o homem somente como produto da raça, do meio e do momento, mas sim como um ser dotado de conflitos interiores, constituído de traços emocionais.

Dessa forma, seguindo essa linha de raciocínio, as criações artísticas, sobretudo na prosa, estão voltadas para o intimismo, caracterizado como uma espécie de sondagem interior e bastante influenciado pelas ideias freudianas, em ascensão naquela época. Sendo assim, de forma singular, Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, José Lins do Rego, Jorge Amado e Érico Veríssimo souberam expressar seus posicionamentos ideológicos e sua visão de mundo acerca da realidade brasileira, sobretudo a nordestina.  

Quando falamos em tais posicionamentos, relembramos a importância de darmos ênfase ao panorama social, econômico e político que norteara a época em questão. Assim sendo, cabe reafirmar que entre os escritores, os que mais se sobressaíram foram os nordestinos, justamente pelo fato de retratarem a situação caótica que imperava naquela região. Enquanto o Sudeste e o Sul se vangloriavam com o crescimento econômico e político oriundo da chamada política do café-com-leite, os nordestinos viviam à mercê da própria sorte, convivendo com a seca cada vez mais brutal, bem como com a crise oriunda do declínio do ciclo açucareiro.

Contudo, a crise que atingiu o mundo capitalista a partir de 1929 fez com que a expansão do mercado brasileiro perdesse sua força, diminuindo as exportações. Nesse cenário, a economia do país oscilava, e a política não ficou aquém dos acontecimentos, pois, funcionando como uma espécie de repúdio à elite oligárquica (formada pelos representantes cafeeiros do Sul e de Minas), forças tenentistas que ansiavam a moralização do regime (nomeando para tanto Luís Carlos Prestes como candidato) se chocaram com as forças oligárquicas que, dando uma resposta à tamanha insatisfação, nomearam Getúlio Vargas como oposicionista, ao qual foi concebida a vitória. A partir de então se instaurava a Ditadura do Estado Novo.

Desse modo, ao fazermos essa contextualização, temos mais condições de compreender algumas correntes ideológicas que tanto nortearam as produções literárias que compuseram o cenário artístico nacional, tendo como “pano de fundo” o cenário real, materializado.

Tendo em vista os representantes já citados, passemos então a estabelecer familiaridade com suas produções, entre as quais podemos citar:

Rachel de Queiroz: O Quinze e João Miguel – 1932; Caminho das Pedras – 1937; As Três Marias – 1939; Dora, Doralina – 1975 e Memorial Moura – 1992.

José Lins do Rego: Menino de Engenho – 1932; Doidinho – 1933; Banguê – 1934; Usina – 1936 e Fogo Morto – 1943. 

Graciliano Ramos: Caetés – 1933; São Bernardo – 1934; Angústia – 1936; Vidas Secas – 1938; Insônia – 1947; Infância – 1945; Memórias do Cárcere – 1953 e Viagem – 1954.

Jorge Amado: Cacau – 1933; Jubiabá – 1935; Capitães de Areia – 1937; Terras do Sem-Fim – 1943; São Jorge dos Ilhéus – 1944; Quincas Berro D’água – 1961; Os Pastores da Noite – 1964; Dona  Flor e seus dois maridos – 1966; Tenda dos Milagres – 1969; Teresa Batista cansada de guerra – 1972; Tieta do Agreste – 1977; Farda, fardão, camisola de dormir – 1979 e  A descoberta da América pelos turcos – 1994.

Érico Veríssimo: Clarissa; Música ao longe – 1935;  Um lugar ao sol – 1936; Olhai os lírios do campo – 1938; O resto é silêncio – 1943; O tempo e o vento – 1949; O retrato – 1951 e O arquipélago – 1961.


Por Vânia Maria do Nascimento Duarte
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