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Tenentismo, oposição elitista à oligarquia

Foto retratando a marcha dos 18 do Forte de Copacabana, em julho de 1922

O principal movimento de oposição à República Oligárquica durante a década de 1920 foi o Tenentismo. Formado principalmente por oficiais de baixa patente, o tenentismo opôs-se à atuação política da oligarquia que comandava o poder político brasileiro, bem como à situação em que se encontrava internamente o exército.

No aspecto interno, a origem da luta do tenentismo era contra a perda de um espaço de formação política positivista que havia caracterizado o Exército desde os finais do Império. A mudança da Escola Militar da Praia Vermelha para a Escola Militar do Realengo, em 1904, evidenciou um enfoque maior na formação profissional dos militares, principalmente com os avanços da tecnologia bélica verificados durante a Primeira Guerra Mundial. Além disso, os critérios para a ascensão na carreira militar davam-se mais pelas ligações políticas com o alto oficialato ligado aos governos oligárquicos do que por capacidade técnica.

Essa situação fomentou uma revolta nas camadas baixas dos oficiais, que pretendiam alterar essa situação dentro da corporação militar. O movimento tinha também projetos políticos para o país, mesmo que eles não estivessem sido elaborados de forma consistente no primeiro momento do tenentismo. Entre esses projetos estavam os pedidos de moralização da vida política, principalmente em decorrência das fraudes eleitorais e da corrupção, a adoção do voto secreto, liberdade de imprensa, limitação das atribuições do Poder Executivo, ampliação da autonomia do judiciário e a moralização do legislativo.

Essas propostas aproximavam os tenentes das camadas sociais médias urbanas, que buscavam um maior espaço de participação política nas estruturas estatais. Porém, apesar de haver uma pretensão próxima ao liberalismo, os tenentes defendiam uma centralização do Estado, buscando limitar o federalismo e os poderes dos coronéis regionais do interior do Brasil.

O movimento, dessa forma, não tinha caráter de ampla base de participação popular, sendo marcado mais pelo seu elitismo, defendendo a ideia de que esses problemas deveriam ser resolvidos pelos militares, e não diretamente por toda a população. Esse tipo de projeto militar de engenharia social não era uma originalidade do tenentismo, já que a própria estrutura republicana brasileira havia sido forjada após a atuação de membros das Forças Armadas. O fato de os militares buscarem interferir nos projetos políticos nacionais na história da República no Brasil conferiu uma característica autoritária e repressiva a quase todo esse período, pois era a estrutura hierárquica e de controle disciplinar rígido que dava forma às organizações políticas criadas pelos militares.

Nesse sentido, o tenentismo ergueu ao cenário político nacional nomes que cumpririam mais à frente importante papel no desenrolar dos acontecimentos posteriores à década de 1920. Dentre esses nomes, podemos destacar: Luís Carlos Prestes, Juarez Távora, Eduardo Gomes, Siqueira Campos, Cordeiro de Farias e Juracy Magalhães.

Os eventos que marcaram o tenentismo tiveram como marco inicial a revolta do Forte de Copacabana, que ocorreu em 05 de julho de 1922. Esse evento estava envolto nas disputas presidenciais daquele ano, em que Artur Bernardes saiu vencedor. As denúncias de fraudes fizeram com que um grupo de militares se dirigisse à sede do governo federal para depor o presidente e iniciar uma recontagem de votos para avaliar quem seria realmente o vitorioso das eleições. Entretanto, os revoltosos que estavam aquartelados no Forte foram cercados e iniciou-se um bombardeio no local. Uma parte dos militares conseguiu fugir pelas cercanias do Forte de Copacabana, mas 17 deles resolveram marchar pela Praia de Copacabana e enfrentar as forças legais. No caminho, um civil, Otávio Correia, juntou-se aos militares. Porém, do enfrentamento com as tropas legais, apenas dois sobreviveram, Siqueira Campos e Eduardo Gomes, que foram presos. Esse episódio ficou conhecido como os 18 do Forte de Copacabana.

Apesar dessa derrota, o movimento começou a melhor se estruturar. Em 1924, outras rebeliões tenentistas ocorreram contra o Governo Federal e pretendiam depor o presidente Artur Bernardes. Sublevações ocorreram no Amazonas, em Mato Grosso, Sergipe, Pará, Rio Grande do Sul e em São Paulo. Neste último local, as forças rebeldes conseguiram tomar a capital do estado sob o comando do general Isidoro Dias Lopes, que atacaram a sede do governo estadual, obrigando o governador Carlos de Campos a fugir da cidade.

Entretanto, como os revoltosos militares estimularam a passividade da população, eles não conseguiram angariar um amplo apoio popular. Em julho de 1924, a cidade de São Paulo foi duramente bombardeada, sendo que os locais mais atingidos foram os bairros pobres, como o Brás. Não podendo enfrentar as tropas legais, os revoltosos conseguiram furar o cerco à cidade em 27 de julho, direcionando-se para oeste, alcançando o norte do Paraná.

Nesse local, os paulistas encontraram-se, em abril de 1925, com uma coluna militar que estava se deslocando para o norte, a partir do Rio Grande do Sul, sob a liderança de Luís Carlos Prestes. O encontro próximo à Foz do Iguaçu iria dar origem, nos anos seguintes, a uma das maiores marchas militares da história contemporânea, que foi realizada pela Coluna Prestes.

Além disso, o tenentismo ainda supriria de personagens diversos fenômenos políticos posteriores, como a Revolução de 1930 e a ditadura civil-militar de 1964.


Por Tales Pinto
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