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Sócrates

Sócrates foi um importante filósofo grego, seu método era dialógico: ensinava as pessoas a chegarem às suas próprias definições por meio de perguntas e respostas.

Sócrates era conhecido por dominar a arte de perguntar
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  A importância de Sócrates para a história da filosofia é tal que todos aqueles que vieram antes dele são chamados de pré-socráticos. Isso significa que a forma como a filosofia ocidental se desenvolveu é tributária da forma como Sócrates entendia o que era a atividade de filosofar e à sua investigação a respeito do humano, que ele inaugurou. Aqueles filósofos que ficaram conhecidos como pré-socráticos, apesar de alguns serem contemporâneos de Sócrates, tinham como centro de suas preocupações a origem do universo e outras questões relativas à natureza para substituírem a cosmogonia grega, pautada em mitologias, por uma cosmologia, uma explicação baseada em razão. Por isso, esse período na história da filosofia também é referido como período cosmológico. 

 No entanto, Sócrates preteria a tecnologia da escrita em relação à transmissão oral e tudo o que sabemos de sua vida veio por meio daquilo que escreveram sobre ele. Temos, por exemplo, a obra Memorablia do historiador Xenofonte (que também escreveu sobre ele Symposium, Oeconomicus e Apologia de Sócrates) e a caracterização satírica feita por Aristófanes em Nuvens. Destaca-se, porém, para o estudo da Filosofia, as obras de seu discípulo Platão que fez dele personagem principal de diálogos como Apologia de Sócrates, na qual discute a morte de seu mestre, e Fedro, por meio da qual conhecemos a crítica socrática em relação à escrita. Ou seja, não temos nada escrito pelo próprio Sócrates a respeito de sua atividade e de seu pensamento. Embora Platão tenha se empenhado em registrar os ensinamentos de seu mestre, o que temos é a versão dele a respeito do pensamento socrático. Sobre sua vida e analisando ao mesmo tempo todas as fontes podemos compor um retrato do filósofo a partir das semelhanças entre os relatos.

Biografia

* Nascimento: Nasceu em Atenas, por volta de 469 a.C., filho de um escultor e de uma parteira. Ele faz alusão às artes praticadas por seus pais como orientação para o seu método filosófico. Pretendia com os seus diálogos possibilitar que seus interlocutores trouxessem à luz as suas próprias ideias, como veremos a seguir no tópico Método.

* Aparência física:

Aristófanes descreve Sócrates a partir de traços caricaturais semelhantes aos das pinturas dos vasos do século V, que representavam intelectuais: Sócrates, para Aristófanes, era pálido, tinha cabelos compridos e sua higiene e suas vestimentas eram consideradas deficientes. Xenofonte, em seu Banquete, descreve Sócrates como feio, de olhos esbugalhados, nariz achatado com narinas arrebitadas e lábios grossos. No entanto, as próprias características físicas serviam a Sócrates para que ele se tornasse mais sábio ou se destacasse entre aqueles que eram considerados belos. Desse modo, os olhos esbugalhados permitiam que ele tivesse visão em longo alcance, o nariz achatado não se interpunha entre ele e aquilo que estava diante de sua visão, as narinas arrebitadas eram aptas à captação de cheiros.

* Educação: Foi educado como os jovens da sua época: a partir da obra de Homero, pedagogia que foi objeto de seus questionamentos, como podemos ver em A República, de Platão:

“Sendo assim, firmemos desde logo este ponto: todos os poetas, a começar por Homero, não passam de imitadores de simulacros da virtude e de tudo o que mais constitui objeto de suas composições, sem nunca atingirem a verdade” (600e).

A condenação e o banimento dos poetas que Platão escreve no livro X de A República significa que a educação, para ele, não podia ser pautada pela poesia, pois o pensamento de Homero e o de outros poetas não representa a verdade e até mesmo a deforma, por exemplo ao falar sobre os deuses.

* Principais atividades políticas: Sócrates, ao que se sabe, participava ativamente da vida na cidade e se contrapunha àqueles que apenas dominavam a arte da oratória, mas não tomou um posicionamento sobre a disputa entre aqueles que defendiam a democracia e aqueles que defendiam a aristocracia. Fez parte do Conselho dos 500 e se estabeleceu como educador público e gratuito.

* Método filosófico: Dialógico

A filosofia de Sócrates se desenvolvia a partir de diálogos e era composta de dois momentos básicos: A refutação ou ironia e a Maiêutica.

A ironia era a etapa em que Sócrates perguntava o que as pessoas sabiam para que, elas próprias, ao tentarem defender suas opiniões, percebessem a limitação de seus argumentos, a contradição entre eles e a imprecisão de seus conceitos.

Para Sócrates, é importante para todos aqueles que querem conhecer alguma coisa, começar reconhecendo a própria ignorância. Para conduzir seus interlocutores a reconhecerem que não sabiam sobre aquilo que conversavam, Sócrates iniciava seu diálogo com perguntas que faziam parecer que ele também não sabia sobre o assunto. E esse é o sentido original da palavra ironia: derivada do verbo eirein (perguntar), ironia tinha o sentido de interrogação fingindo ignorância.

A maiêutica, em seu sentido original: a arte de parir, era a segunda fase do diálogo. Como foi dito, Sócrates via nas artes desenvolvidas por seus pais como uma espécie de orientação para seu método filosófico. Se, na fase da ironia, suas perguntas visavam estimular seus interlocutores a mostrarem seus pontos de vista, na fase da maiêutica, suas perguntas eram para estimular que eles criassem suas próprias definições a respeito daquilo que estava sendo discutido. Mas isso era progressivo, ou seja, ele conduzia calmamente o interlocutor de pergunta em pergunta; a cada resposta, ele fazia outra pergunta que revelava a contradição existente na resposta dada.

Veja como ele se refere ao próprio método na obra Teeteto, de Platão:

SÓCRATES:

Pois, nesta minha arte de dar à luz, coexistem as outras todas que há na outra arte, diferindo não só no facto de serem homens a dar à luz e não mulheres, mas também no de tomar conta das almas e não dos corpos dos que estão a parir.

E o mais importante desta [c] nossa arte está em poder verificar completamente se o pensamento do jovem pariu uma fantasia ou mentira, ou se foi capaz de gerar também uma autêntica verdade.

Pois isto é o que justamente a minha arte partilha com a das parteiras: sou incapaz de produzir saberes. Mas disso já muitos me criticaram, pois faço perguntas aos outros, enquanto eu próprio não presto declarações sobre nada, porque nada tenho de sábio; e o que criticam é verdade.”

O que Sócrates diz neste fragmento que acabamos de ler é importante por vários motivos. Por meio dele percebemos que Sócrates não se considerava sábio. Ele também aponta a própria ignorância a respeito das coisas sobre as quais as pessoas costumavam se julgar conhecedoras.

É bastante conhecida a sua afirmação, que ele repete em vários diálogos com palavras diferentes: “Só sei que nada sei.”

Assim, afirmava que sua única habilidade era saber fazer perguntas certas. Desse modo, Sócrates ensinou que o papel do filósofo não é o de um homem ou de uma mulher que conhece a verdade e a ensina aos seus discípulos. O papel do filósofo, na concepção socrática, é apenas apontar caminhos.

* Morte

Sócrates foi acusado por três cidadãos atenienses de ser injusto com os deuses da cidade (impiedade), de introduzir inovações religiosas e de corromper a juventude. Ficou preso por trinta dias e, ao fim do processo, foi condenado a beber o veneno extraído da cicuta. O diálogo Fédon, de Platão, retrata os momentos que antecedem a morte por meio de diálogos, o que o pintor francês Jacques-Louis David faria por meio da pintura séculos depois – Platão, que tinha por volta de vinte e nove anos na época da morte do mestre, é retratado como um ancião, e Sócrates, que era descrito como o contrário das noções clássicas de beleza, é representado dentro dos padrões estéticos.

Durante o julgamento, foi lhe dada a opção de decidir-se exilar de Atenas, mas ele acreditava que, se aceitasse essa pena, seria como reconhecer que seu pensamento e seu modo de agir na cidade eram errados. Com serenidade diante da morte, o filósofo dirige-se aos que o escutam, com as seguintes palavras:

“Estás enganado, se pensas que um homem de bem deve ficar pensando, ao praticar seus atos, sobre as possibilidades de vida e morte. O homem de valor moral deve considerar apenas, em seus atos, se eles são justos e injustos, corajosos ou covardes” (Platão, Apologia de Sócrates, p.80).  


Por Wigvan Junior Pereira dos Santos
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